I say: ye... ye... yes!

Parece que este ano a cerimónia dos Grammy Awards foi das melhores de sempre, misturando autênticos mitos da música velhotes e até falecidos (como Frank Sinatra em dueto com Alicia Keys e Tina Turner com Beyoncé) com as muito conhecidas promessas da música actual.
Não vi. Confesso que, se cada vez dou menos importância aos Oscars, aos ditos Grammy a minha atenção sempre foi diminuta. Uns quaisquer prémios de música supostamente mundial que acabam sempre por sobrevalorizar o americanismo e o que de fraco por terras de Tio Sam se faz, como se o melhor do ano ali estivesse representado. E, efectivamente, não está. Tal como na sétima arte, a melhor música vem muitas vezes do nosso velhinho continente. Ao menos admitissem que os prémios, mundialmente conhecidos, são para valorizar o que na arte musical ou cinematográfica se faz nos EUA, pois 95% das nomeações a este país pertence. Nomeiam 1 ou 2 estrangeiros (ingleses, pois então) para as principais categorias e já conotam os prémios como mundiais. Depois lá têm umas categoriazitas às quais não se dá grande importância e, pronto, fala-se do maior evento musical ou de cinema.
Festas americanas que, por contingências da globalização, são conotadas como as mais importantes do mundo, num determinado ano.
Pois se, relativamente aos Grammy's, quase sempre discordei dos chamados grandes vencedores do ano, este ano a coisa foi diferente. Uma inglesa de 24 anos, ainda não muito conhecida do outro lado do Atlântico, mas na boca de muitos, foi a "rainha".
Desde o início da noite da 50ª cerimónia dos prémios que Amy Winehouse era a mais esperada, mas já se sabia que, devido a um problema com o passaporte (a embaixada Americana em Londres recusou-se a dar-lhe o visto devido aos muitos problemas da cantora com drogas e quando o fez era tarde demais), a cantora ficou em Londres, actuando via satélite num estúdio intimista, decorado à Cabaret, apenas com amigos e familiares a assistir. Winehouse tornou-se a grande vencedora da noite Grammy’s ao vencer em cinco categorias.
A doida, perturbada, desorientada, aparvalhada, decadente e tudo o mais que lhe costumam chamar, venceu nas categorias de Melhor Canção e Gravação do ano por "Rehab", Melhor Artista Revelação, Melhor Cantora Pop e Melhor Álbum Pop pelo disco "Back to Black", o seu suposto álbum de estreia.
Amy Winehouse, a junkie mais talentosa da pop e R&B actual, cantou muito ao seu estilo (dizem que até se portou muito bem, tendo em conta muitas outras actuações dela em que se esquece da letra, pára de cantar, etc), directamente para os States (que a impediram de entrar no seu território), duas canções via satélite, a partir de Londres. Amy que há dias deu entrada numa clinica de reabilitação para toxicodependentes fez uma pausa para esta actuação e nem queria acreditar que os americanos a estavam a premiar. Na pausa, ironicamente, cantou: "They tried to make me go to rehab... i say: no, no, no!"
Sem coroa, as desejosas "rainhas" americanas e outros tantos "americanóides" lá se devem ter roído de raiva, mas convém recordar-lhes que nem sempre a América é o centro do mundo e que é a música que se deve premiar, não estilos de vida, visuais de barbie, valores e atitudes particulares.
Eu gosto desta Amy. There's something about her unattractiveness that's attractive.



(Amy Winehouse - Grammy Awards 2008)

The difference between

He - All we have is sex... just sex, nothing more.
She - We love each other. I love you.
He - No, you don't. There's a difference between love and sex.
She - No, there isn't. Sex is the only way that we can feel that we're not alone in the world.

Agora

Será que me tornei numa pessoa fria?
Fiz por isso.
Para sofrer menos fiz por isso.
Foi consciente.
E agora pago por isso.
E agora decepciono tudo e todos.
E agora decepciono quem eu menos queria decepcionar.
E agora continuo a tentar fazer tudo bem mas, a outros olhos, faço tudo mal.
E agora continuo a pensar em mil coisas para que corra tudo bem mas parece que corre tudo mal.
Os sentimentos não acertam com as atitudes.
Faço pelo melhor e choro porque faço o pior.
E agora a desejada frieza tornou-se fraqueza.
E agora? Estou a deixar de ser quem fui?
E isso dói-te.
E isso dói-me.
O que construo com as mãos esvai-se em segundos.
Fui-te real, não imaginado. 
E agora sou uma ilusão.
E agora sou uma decepção.
E a cada dia desço, caio aos trambolhões, pelas escadas do patamar onde me colocaste.
E agora continuo a tentar fazer tudo bem mas, ao fim do dia, deito-me a chorar.
E amanhã é um novo dia.
E amanhã vou tentar novamente.
Desculpa-me.
Não chores.
Amanhã tento novamente.
E novamente me vou afastar desse patamar.
E novamente vou fazer tudo mal.
Mas ainda vou continuar a tentar.
Desculpa-me.
Não chores.
Amanhã tento novamente.

Exagerado?

Bloody dolls with cute puppets






"The Blood Show" por Paco Peregrín









Pinturas de Mark Ryden

Um daqueles dias... daqueles como nunca tive.

Hoje foi um daqueles dias... daqueles como nunca tive.
Transportes. Escola. Aulas. Reunião com uma encarregada de educação de uma menina de 14 anos que está de cama com uma gravidez de risco (e eu, otário, tenho de lhe tirar as dezenas de faltas que já deu e dará até ao final do ano lectivo). Registo e justificação de faltas num programa que, mais uma vez, bloqueou. Transportes. Ida para Lisboa tratar da papelada para a retoma automóvel. Filas intermináveis na loja do cidadão. Transportes rumo a Vila Franca de Xira. Filas intermináveis na Segurança Social. Transportes para Lisboa. No meio desta corrida uns quantos telefonemas para saber para onde ir, o que fazer e, claro, ninguém a saber explicar nada, tudo a contradizer-se. Nervos a aumentar. Já percebi porque é que a maior parte das pessoas não quer saber dos 1000 euros mais IVA da retoma automóvel e preferem não ter esse desconto tal é a tamanha quantidade de papelada necessária e as voltinhas imensas associadas. Um conjunto de burocracias mal explicadas, mesmo à "tuga". Mas eu não desisto e lá andei mais uma tarde de um lado para o outro. Mais uma paragem. Uma ida ao stand. Mais transportes. De volta à margem sul para uma reunião que, obviamente, não serviria de nada. Tantos testes de avaliação para corrigir e eu naquele corropio.
Finalmente o regresso a casa por volta das 20 horas. Meia hora à espera de autocarro. 15 minutos à espera do barco e, fantástico, o comboio era só dali a 1 hora. Lá para as 22.30 estaria em casa, finalmente.
Mas não, claro que não. Tinha de parar na Gare do Oriente, ir ao hipermercado no Vasco da Gama comprar pedrinhas para a liteira dos gatos. Lá desci do comboio rumo à dita grande superfície. Ok, ok, não havia as ditas. Abasteci-me de umas pedras péssimas que se espalham, sujam a casa toda e pronto. Voltei para a estação e ouço a belíssima notícia, em voz calma a ecoar por toda a estação, de que o comboio estava atrasado. Que remédio! Lá esperei com saco do Continente, uma mala com computador e disco rígido externo, outra mala com outras coisas, um dossier, dois livros e uns cento e tal testes que, claro, caíram mas que rapidamente foram apanhados por mim e mais umas quantas pessoas que por ali esperavam e me viram com tamanha quantidade de peduricalhos. Parecia um vendedor ambulante, certamente. A sorte é que não estava vento e nem um teste voou. Alguns mais valia que tivessem ido enfeitar a troposfera.
Mas o melhor ainda está para vir, ah pois. Uma daquelas coisas que jamais estaria à espera e nunca depois de um dia daqueles.
Entro no atrasado comboio e, por sorte, consegui lugar para me sentar. Eu e os meus vários sacos e coisas demais. Uma cacetada no rapaz do lado, um encontrão no da frente. Lá me acomodei, suspirei de certo alívio e comecei a observar as gentes ali sentadas e em pé. Nem música me apetecia ouvir.
Ao meu lado um rapazito muito engraçado jogava palavras cruzadas e ouvia música. À minha frente uma daquelas coisas que não se vêem todos os dias. Um daqueles "gajos" de quem digo em alto e bom som que é "poooooooodre, absolutamente pooooooooodre". Uns 30 e poucos anos, estatura média, cabelo cortado a pente 1, parecendo quase rapado por ser muito louro. Olhos pequenitos azuis e uma barba por fazer há dias. Uma cara de puto-homem mas tão, tão masculino. A prova de que um homem muito louro pode ser um simbolo de absoluta masculinidade. Era o caso. Uma mistura muito bem conseguida de Ed Harris mais novo, com Brad Pitt, com Zidane, por aí. Só vendo. O homem transpirava sexo, cama. Umas calças pretas justas a tornear umas pernas afastadas, grossas e musculadas, umas t-shirt preta justa a deixar adivinhar um tronco forte de peitorais cheios, uns braços que eram autênticos troncos quase a rebentar com a t-shirt e com o casaco La Coste de malha preta. Um fio dourado com um crucifixo de igual material e no pescoço, de lado, uma horrível tatuagem da bandeira francesa com dois machados cruzados. Mas isso ainda contribuía para aumentar a testosterona daquele colosso.
Ali estava sentado, a menos de meio metro de mim, com um saquito de papel de uma loja de brinquedos. Ora mexia num telemóvel, ora noutro. Um deles tocou. Era, certamente, a sua querida esposa que depois passou o telemóvel à filhinha que esperava a prendinha do "totalmente hot" papá que ainda ficou mais "hot" quando, com um vozeirão grave e quente, falou com a pequenota.
O rapazito que jogava palavras cruzadas levantou-se e saiu. Mais umas cacetadas nas minhas bagagens. Resolvi ocupar o seu lugar junto à janela e reparei que o "pooooooodre" tinha outra tatuagem pavorosa entre o pescoço e as costas. Só consegui ler "Devil". Ok, um burgesso armado em machão!
Eis que o dito "testosterona ambulante" vira, entre as pernas, um dos telemóveis para mim e fica-me a olhar muito seriamente. Olhei para ele e para o telemóvel. Tinha um número escrito no ecrã. Não estava a acreditar naquilo. Não, não podia ser parvo, o homem estava mesmo a mostrar-me o número dele.
Olhei para ele, meio aparvalhado, e expressei com o olhar uma certa, mesmo muita, indignação. Ele, com os olhos, faz-me sinal para o telemóvel. Foi assertivo, não havia dúvidas. Sussurou: "Aponta, pá!" E eu, meio estúpido continuo a olhar ora para ele, ora para o objecto.
Virei os olhos para a janela. Aquilo não me estava a acontecer. Ele toca com a perna na minha e diz baixinho: "Escreve o teu número!" Pronto, entrei no jogo e escrevi. Escrevi, enervadíssimo ao ponto de já nem saber muito bem qual o meu número, e apontei o meu telemóvel para ele, muito discretamente, claro. Onde é que aquilo ia dar?
Aparentando uma calma excessiva e deveras incomodativa, ele escreve o meu número no telemóvel e bastaram uns 30 segundos para começar uma troca de sms exactamente assim escritas:
Ele - Ond é k vais sair?
Eu - ??? VFX. Pq???
Ele - Sai na Castanheira. Tenh lá carro.
Eu - Para q?
Ele - Faz.me um bro***.
Escusado será dizer que devo ter ficado de todas as cores do espectro electromegnético. Já fui assediado de várias formas e em várias circunstâncias mas assim? Aquilo não estava a acontecer. Um dos maiores "pooooooodres" que alguma vez vi, daquelas coisas que ultrapassam o limiar da atractividade sexual, estava a "fazer-se" a mim e descaradamente. E à volta ninguém estava a perceber nada.
Eu - ???
Ele - N me digas k n es desses.
E antes de eu responder...
Ele - Desses k n fazem mas gostam k façam. Iss n e comigo, sou homem.
Na minha cabeça giravam milhões de coisas ao mesmo tempo. Aquilo estaria mesmo a acontecer? "O homem tem uma mulher à espera, uma prenda para a filha que o espera, tem ar skinhead, de quem odeia gays e está-me a mandar isto? Será que é mesmo o que ele quer ou quer é apanhar-me e encher-me de porrada?"
Não escrevi mais nada. Ele continuou a olhar para mim.
Cheguei à minha estação e levantei-me. Ele estica uma perna como que a dizer "não saias". Eu saí.
Nervosíssimo, ainda nem 20 passos tinha dado e já estava a receber outra sms.
Ele - Respnde. Quero k me bro***s pá.
Eu - Desculpa, fica bem.
Ele - N fico bem com 1 tesao destas.
10 minutos depois...
Ele - Agente volta a ver.se no comboio e n me excapas.
20 minutos depois...
Ele - N tenhas medo, n sou panaca mas kero exprimentar um panaca a ma**r.me.
E eu resolvi responder.
Eu - Desculpa, mas não sou eu esse panaca. Há por aí muitos que não se importarão. Xau.
Ele - Kero k sejas tu n e outro. Kero por a minh pi** na tua boca. Mais logo dix kk coisa.
E eu não disse.

Puppet on a string

Ainda a televisão era a preto e branco, ainda faltavam uns aninhos para eu nascer, ainda os meus progenitores eram uns jovenzinhos, ainda o 25 de Abril estava muito longe, quando uma rapariga subiu ao então muito pobrezinho palco do Eurofestival da Canção e cantou umas das mais divertidas músicas que por tais paragens se ouviu.
Lembro-me de ir crescendo a ouvir, ano após ano, por alturas do apreciadíssimo evento que fazia parar todos os países participantes (outrora tão poucos), a minha mãe falar de uma tal Sandie Shaw. Quando se falava de Eurofestival havia sempre alguém a dizer, a modos como que suspirando e recordando bons velhos tempos: "Ahhhh... a Sandie Shaw descalça... foi um escândalo". E eu questionava: "Mas porquê? Qual é o mal ir descalça?". E lá me explicavam, como se explica a um miúdo que nada sabe da vida, a um burrito acerebrado que ainda tem tudo para aprender, que não se vai descalço para um palco, já aquela roupinha foi o que foi, quanto mais descalça.
Mas as pessoas diziam aquilo num misto de recriminação e admiração sem sequer ponderar a possibilidade de que o visual pudesse ter algo a ver com o tema cantado. "Ela é uma artista inglesa, lá as coisas são diferentes", diziam. "Ah, ela devia ser um bocadinho maluca. Era, era!" proferia o meu pai sempre sabedor de tudo.
E lá se falava sempre, por volta de Maio, da grande vencedora de 1967 que cantava o "Papé on a stri".
Pois neste fim-de-semana lembrei-me do dito, altamente polémico, momento de "modernice" ou "estrangeirice" e apeteceu-me ouvir.
Depois de um dia surrealmente cansativo, nada melhor do que estender-me no sofá e ouvir esta maluquinha estrangeira lá das "inglaterras" que teve o descaramento de tal ousadia.

(Sandie Shaw - Puppet on a string)

Licorices

Já se falou em Março, depois Abril, depois Março outra vez e agora, ao que parece, será em Fevereiro. É o lançamento do novo álbum de ELA!
O anterior "Confessions on a dance floor" desagradou-me, considerei-o o pior do últimos 15 anos de ELA (infelizmente os melhores, menos comerciais, foram os que menos venderam). Depois, comecei a gostar e agora acho que dentro do género dançável disco sound é bastante bom.
Depois da última tour e antes da próxima (será que é desta que é a última tour? Daqui a meses ELA completa 50 anos), ELA já realizou um filme que estreará, dentro de dias, no Festival de Berlim, realizou uma curta metragem sobre a vida desumana no Malawi e gravou o tão esperado novo trabalho discográfico que o seu maridinho diz ser o melhor de ELA. A ver vamos! Se for na onda hip-hop, duvido.
Como sempre, muita tinta já correu e corre e ainda não se sabe o que por aí vem. Fala-se do título "Licorice" que, afinal, já não deve ser; fala-se de dois temas que já há meses andaram pela net a "correr" e, rapidamente, foram retirados; fala-se do novo look de ELA (já nenhum mais há a inventar); fala-se das faixas, das parcerias, de duetos, de tudo e mais alguma coisa. Os sites dedicados a ELA todos os dias apontam novidades mas a verdade é que ninguém sabe o que aí vem.
Certo, certo é que dentro de dias ELA gravará em Londres o video de lançamento, um video do primeiro single que se chama "4 minutes to save the word". A ver vamos o que ELA fará desta vez e que, claro, servirá de referência para que as outras gajas sigam a onda, como sempre.
Foi então que há dias um site, habitualmente fidedigno (onde se vão "sacar" muitos álbuns e cheio de novidades diárias), resolveu antecipar a apresentação do novo álbum. Achei estranho, ainda para mais porque os ultra-fãs de ELA não sabiam de nada.
Lá estava a pseudo-capa do álbum, o pseudo-título e o mais importante, as "novas" músicas.
Pois, um embuste. É claro que não é e nunca será o novo de ELA. Esse só daqui a semanas o mundo conhecerá e adorará ou detestará (para variar).
Mas, mas, mas... então que músicas são aquelas? Pois, são remixes de temas mais antigos de ELA. Mais remixes de temas de ELA. Há centenas e centenas deles na net. É comum vários DJ "pegarem" em temas de ELA e fazerem remixes. Eu não sou nada fã de tais transformações mas alguns são excelentes, notáveis mesmo. Tenho um do "Get Together" que é assustador. Isso mesmo, assustador. Um tema tão ligeiro foi transformado em algo tétrico e assustador.
Ora bem, e estes remixes, os tais temas do novo álbum não estão nada, nada maus. Alguns são, diria mesmo, excelentes. E digo-o não por serem temas (alterados) de ELA, não por ser ELA, mas porque assim o considero. E volto a referir que não sou fã de remixes.
Portanto, enquanto o novo de ELA não chega, enquanto a comunicação social não lhe cai em cima ainda mais, enquanto se espera (ou não), sempre se pode "sacar" o dito "novo álbum" e ouvir o que alguns famosos DJ andam a fazer. Há temas que estão irreconhecíveis. Até um em espanhol lá está e uma mistura com um tema da grande Tori Amos.

Aqui fica o endereço do site para a "sacagem" do dito:

http://musikaki.blogspot.com/2008/01/madonna-licorice-2008.html

Bater com o pé no chão

E pronto, cá vou eu corrigir mais umas dezenas de testes de avaliação. Trabalho inglório porque, afinal, é para passar todos os meninos. Nem sei porque me dou ao trabalho! Até sei!
Mas antes, enquanto lavo o chão da casa, para descontrair, para não me enervar mais com a ministrazinha... vou ouvir isto:

E de esfregona em riste já sei que vou cantar, dançar, bater umas palminhas valentes e bater muito com o pé no chão.
"You put me in the (tum...tum - pé no chão) magic position..."

Again, vá todos:


(Patrick Wolf - The Magic Position)

Linguagens

Já há muito que não tenho paciência para falar da actual situação do ensino, da ministra da educação, do que vou vendo, diariamente, na escola. Vou vivendo a minha vida profissional com alguma calmaria, evitando stressar-me, antecipar-me à, cada vez maior, desgraça mais do que certa. Prefiro encarar um dia de cada vez na escola e nem querer muito saber das novidades, sempre bombásticas, vinda do ministério.
Mas, por vezes, é impossível desviar-me do que nos entra pelos olhos a dentro. É impossível não acumular uma camada estrondosa de nervos.
Hoje, no comboio peguei num jornal que ali estava abandonado na cadeira em frente a mim. Objectivo: descontrair, ocupar o longo tempo de viagem. E, claro, em minutos, subiu-me uma coisinha má pelo corpo e, mentalmente, fui um professor a falar, digo, a pensar muito mal a língua de Camões.
Uma entrevista maravilhosa com a nossa ainda mais maravilhosa ministra Lurdinhas foi a responsável por tal desconcerto aqui do moçoilo.

Eis um excerto da dita maravilha:

- Incomoda-a, enquanto responsável pela Educação, verificar que as novas gerações dominam mal a escrita, dão muitos erros e mal sabem a tabuada?
- Mas eu não partilho dessa sua visão que as novas gerações escrevem mal e não dominam o português. Isso não é verdade, não está comprovado em nenhum lado, pelo contrário. Se tivermos em atenção aquilo que são sistemas externos de avaliação, aquilo que podemos dizer é justamente o contrário. O fenómeno que existe hoje e que causa maior perplexidade é que temos muito mais alunos no sistema de ensino. Há trinta anos, entravam nas universidades 7% dos alunos, o que significa que eram poucos, muito seleccionados e escolhidos. O desafio da escola de hoje não é ensinar 7% da população; antes, é ensinar todos e com isso aumenta a quantidade de todos os tipos de alunos, dos bons, dos excelentes e naturalmente também dos maus alunos.

- Mas se o sistema funcionasse de modo correcto não haveria essa quantidade de maus alunos. Não concorda?
- Hoje há mais alunos a saber mais, há mais alunos a saber regularmente e também há mais alunos a saber pouco, o que resulta de haver mais alunos no sistema. Esta é a primeira conclusão a que podemos chegar. A segunda conclusão que também poderemos retirar da observação que faz é que as novas gerações sabem coisas diferentes das gerações anteriores. E essa realidade as gerações anteriores nem sempre estão disponíveis para aceitar e perceber. A sociedade de hoje valoriza saberes diferentes. Veja o caso da minha geração, que tem fracos conhecimentos em tecnologias da informação, por exemplo. Hoje, as crianças têm mais competências nessa área.

- Mas é razoável aceitar que nem a tabuada se saiba e se frequente o segundo ou o terceiro ano de um curso superior?
- Isso não é verdade. Há uns que não sabem mas há outros que sabem e...

- Mas não deveriam saber todos? A tabuada é o básico dos básicos de uma disciplina tão importante como a matemática.
- Mas em todas as gerações houve alunos que não sabiam a tabuada, peço desculpa. A taxa de reprovação na quarta classe há quarenta anos era na ordem dos 50%. Já está a ver a quantidade de pessoas que não sabiam a tabuada, mesmo na escola primária. Nós não podemos generalizar os maus casos aos alunos que são bons, da mesma maneira que não podemos generalizar os casos dos bons alunos ao resto do sistema, que também seria criar uma profunda ilusão. Nunca o país teve alunos tão bons, excelentes mesmo, a fazer mestrados e doutoramentos como tem actualmente.

(Nota do jornalista: Por esta altura, já o assessor da ministra, incomodado com as perguntas que estavam a ser colocadas à governante, procurava dissuadir-nos de continuarmos a fazer o nosso trabalho, o que só sucedeu por anuência da própria ministra, para grande irritação do assessor em causa)

- Supondo que a senhora ministra habite em Lisboa, imagine que o Governo deslocalizava a sede do ministério para Évora ou Elvas: com que estado de espírito chegaria ao seu trabalho ao fim de cento e cinquenta quilómetros de viagem e com que disposição voltaria para a família ao fim do dia, depois de um vai e vem de trezentos quilómetros?
- É claro que essa não é uma situação razoável, mas são as condições da vida que por vezes são bem difíceis. Para todos, não apenas para os professores. Há muita gente que tem que percorrer muitos quilómetros, infelizmente, para poder ter acesso ao emprego. Não é razoável mas acontece. Felizmente que não é muito elevado o número de casos e tenderá a resolver-se.
(in Jornal Fundamental- Nuno Cláudio)

Sim, senhora ministra, sabe dar muito bem a volta às questões. Daqui a uns anos, com um país cheio de gente burra, todos a irão entender muito bem, todos em si acreditarão, ninguém vai perceber que as coisas não são BEM assim. Mas agora ainda há quem veja e não somos assim tão poucos. A sua linguagem não convence todos.
Então termos mais alunos nas escolas, no ensino superior, significa que estes sabem mais? Termos os miúdos a dominar as novas tecnologias é sinal de que sabem mais, de que têm o raciocínio lógico-matemático mais desenvolvido? É sinal de que são melhores pessoas, melhores cidadãos?
Minha senhora, é óbvio que temos alunos muito bons, mas a maioria deles não o são. E muitos dos que têm boas notas, têm-nas como consequência do grande facilitismo e da quase nula exigência no ensino. E é óbvio que temos mais alunos na universidade. Dantes quase não havia cursos superiores, agora há-os aos pontapés. Sabia que somos o país da UE com maior número de cursos? Já viu a quantidade de engenharias que por aí há? Sabia que até temos um curso superior de provador de vinhos? Estranho seria se com tantos cursos, com tantos facilitismos, com tantos empurrões aos meninos, as faculdades tivessem o mesmo número de alunos de outrora.
Pronto, vá lá, os alunos escrevem e falam muito bem Português, os professores é que começam a ter grandes dificuldades a esse nível, porque quando a si se referem ficam, quase sempre sem capacidade de falar esta ou outra qualquer língua. Sem palavras!
A senhora Maria de Lurdes Rodrigues é um caso claro de miopia política comprovado quando diz que é falso que as novas gerações não dominam bem a língua portuguesa. O pior governante é aquele que não quer ver a realidade que está mesmo diante dos seus olhos, porque nada fará para a alterar (neste caso ainda a agrava). E dizer-se que tudo está bem quando somos todos (seremos mesmo? Esta senhora parece que não) bombardeados constantemente com textos de péssima qualidade (chamar-lhes textos já é elogioso) é, no mínimo, assustador.

O (in)sucesso dos números e das mais jovens cabecinhas.

Não se diz mal da senhora ministra da educação só por dizer. Diz-se mal porque ela merece. Por muito que se tente entender esta senhora, é impossível. Mesmo com as mais mirabolantes estratégias mentais que se possam fazer, é impossível. E é-o, pura e complexamente porque esta senhora está, a por todas as visões, a leste do que se passa nas escolas. Completamente a leste de quem e como são as crianças, adolescentes e jovens que povoam o país.
Só quem não está no ensino é que não entende a extrema gravidade das opiniões e acções desta senhora.

Num intervalo de vinte minutos, um grupinho de professores tecia comentários como:
- Mas o novo estatuto do aluno entrou ou não em vigor? É que não tem data, como seria natural e habitual.
- Umas escolas estão já a segui-lo, outras não. E agora? O que é suposto fazer?
- Então agora os miúdos faltam umas aulas e quando decidem aparecer temos de ter testes ou exames prontos para eles fazerem? Faltam porque querem e ainda temos de ajuda-los? Isso é incentivar a falta de assiduidade. Sim, porque vamos andar a fazer testes para as turmas, fichas, correcções de tpc's e ainda exames para os meninos que ficam em casa a dormir... Mas é suposto passá-los todos? Então o que é que ando aqui a fazer? A premiar os faltosos. Qual é o respeito pelos miúdos que vêm todos os dias?
- Ah, e agora a escolaridade obrigatória vai deixar de ser até aos 15 anos de idade. Agora toda a gente tem de ter o 9º ano.
- Sim, e vamos ter matulões de 17, 18 e 20 anos no 7º ou 8º ano.
- O que é que os pais vão achar sabendo que na turma dos seus filhos de 12 anos estão uns 2 ou 3 marmanjos delinquentes que ali estão obrigados e a dar cabo das aulas?
- E depois esses faltam e ainda temos de passá-los com os exames que vamos andar o tempo todo a fazer.
- E os miúdos pequenos começam a seguir os exemplos dos grandalhões que lá estão na turma...
- Ou seja, vai ser o descalabro para nós, para os miúdos, para a escolas e para o país que estamos a criar. Lindo!
- Mas o objectivo, está-se mesmo a ver, é meter os mais velhos em turmas de CEF e Profissionais.
- Sim, mas eles vão para lá obrigados e ainda fazem pior.
- Ah, e então vamos ter escolas inteiras de turmas de CEF, com 3 ou 4 turmas "normais".
- E adultos que em seis meses fazem do 7º ao 12º ano por causa das fantásticas "novas oportunidades".
- É tudo para a estatística, claro. E levamos todos por tabela.

Pois claro senhora ministra. Daqui a pouco tempo temos Portugal muito melhor cotado nas estatísticas da UE. Bravo! E teremos melhores alunos? Melhores professores? Melhores escolas? Alunos que, efectivamente, aprenderam coisas importantes enquanto andaram a estudar? Alunos que serão adultos com valores, sapientes, interessantes, trabalhadores, bem formados? É óbvio que não. Os professores andam desgastados, fartos, desmotivados, a dar em loucos, a sentirem-se inúteis, os alunos cada vez se interessam menos por tudo, são de extrema má educação, mostram sem problemas os seus valores distorcidos e a situação agrava-se a olhos vistos. Premeia-se o mau em função de números colocados numas tabelas da UE. Números de sucesso que escondem uma bola imensa de insucesso. Um insucesso de uma população futura deplorável.
A senhora é um caso nítido de "Necessidades Educativas Especiais", neste caso de "Necessidades Ministrativas Especiais". Talvez pior, porque os alunos com grandes dificuldades de aprendizagem e cognitivas ainda vão tendo algum sucesso, a senhora não, nenhum.
A senhora não tem noção do que se está a passar, do que está a fazer. Ou então tem mas finge que não. Pois, mas a culpa também é dos professores. Nós cá estamos sempre para tapar os, cada vez mais e maiores, buracos que tem a manta por si idealizada e estendida por todo o país. Sentimo-nos cada vez mais inúteis, gozados, pisados, desnorteados, desequilibrados, descompensados mental e profissionalmente. E para agradá-la a si, à sua ditadura, aos seus números tão desejados, desagradamo-nos a nós mesmos, ao que escolhemos fazer: ensinar, ajudar na formação de bons cidadãos de um país, de um planeta.
Mas mais grave do que, com as suas brincadeiras, destruir uma classe profissional, a senhora está a dar cabo de crianças e jovens, futuros adultos. Sem exageros, está a dar cabo de um país.

Isto é de loucos!

Isto é de loucos! Acabei há dias de ver, praticamente de enfiada, as duas primeiras temporadas do "Weeds", ando a ver a 5ª temporada do "Nip/Tuck", a 2º do "Heroes" e comecei agora a ver a 5ª de "The L Word". É de loucos! Ainda para mais porque quero começar a ver o tão elogiado "Brothers and Sisters", anseio pela 3ª temporada de "Grey's Anatomy" e a 4ª temporada do "Lost" está, supostamente, para muito, muito breve. E ainda ando curioso com o tal "Dexter", com o "Californication" e com a nova, dizem genial, do mentor de "Six Feet Under".
E tempo para tudo isto? É de loucos!


(The Killers - Read my mind)


(The KGB - I'm a player)

Breath, breath, breath and nothing, but still breathing and waiting...


(Mat Kearney - Breath in, breath out)

Já na tv passa a 4ª e eu ainda não consegui ver a 3ª temporada!!! Grrrrrrr..... Mas eu espero, oh se espero!

Apologize

Enquanto não sai o tão falado, aguardado, ansiado e especulado novo álbum de ELA com a participação dos "Timbas", o Timberlake e o Timbaland, este último (ao qual nunca dei grande importância) lá vai somando sucessos em parcerias com um e outro cantor da praça mundial. Muito a ele se deve o actual sucesso da chatíssima, parvíssima, irritantíssima Nellita Furtada.
Aqui fica um tema que meu amigo LC me "obrigou" a procurar para lhe gravar. Porque sei que está a passar uma fase emocionalmente complicada, apeteceu-me colocar aqui o tema para ele. O tal senhor Timbaland em parceria com estes tais novos One Republic.
"Tome lá LC, seu graaaande querido. Tão e tanto e tudo!"

Gallianious

Milão? Paris? NY? Please!




That's why he's a genious.

http://men.style.com/fashion/collections/F2008MEN/complete/thumb/JGMEN
(Ide a este endereço e vede até ao fim)

Início de Primavera com teias e uma chaminé.


(Lullaby)


(Love Song)

The Cure. É a banda de eleição da minha Sister B. Com ela e outros amigos lá estarei para ver, ouvir e sentir o que a idade trouxe ao grupo encabeçado pelo enigmático Robert Smith, com o seu cabelo de "teias", olhos negros e lábios vermelhos esborratados, num misto de Eduardo Mãos de Tesoura, Joker e boneco de trapos gótico. Muitos conhecem os temas mais comerciais, poucos conhecem os maravilhosos e alternativos que invadem os álbuns destes emblemáticos senhores que por cá ainda andam. E ainda bem que andam!


(Glory Box)


(Roads - Já aqui postei este tema mas é necessário tê-lo aqui. É, somente, das coisas mais belas que se podem ouvir... tenho dito)

Portishead. É uma das minhas bandas de eleição. Únicos na sonoridade. Não há nada parecido com o que eles fazem. E fazem-no tão, mas tão bem. Um misto de classe, decadência, tristeza, fantasia, simplicidade e complexidade traduzidos em apenas 2 notáveis álbuns. 5 anos depois vem aí o terceiro, deveras aguardado pelos fãs e críticos que sempre lhes teceram os maiores e merecidos elogios. A carismática Beth Gibbons, conhecida por "Chaminé cantante", nestes anos aventurou-se num álbum a solo e numa participação no "Cinema" do Rodrigo Leão. Agora junta-se novamente ao seu clã. Com o novo álbum vem uma tour que passa por terras lusas. E eu lá estarei, à borla ou a pagar, lá estarei para me arrepiar com a fabulosa simplicidade desta inglesa tímida (que quase se esconde por trás do microfone), magra, meio marreca, vestida de tons neutros, cabelito escorrido e cigarro em punho... a Beth que tanto me fez suster a respiração quando a vi e ouvi ao vivo com o Rodrigo Leão.

Ai os CEF... Sei bem o que isto é.


(Clicar para ampliar e ler)

Realidade

É-nos natural, social, mental. Faz parte de nós. Passamos a vida a atirar a realidade para cima dos olhos dos outros. "Olha que não é assim. Olha que estás enganado, a realidade é esta". Realidade, cada um toma a que quer, pois não tem outra senão aquela que os seus sentidos e juízo percebem. E basta ouvir dois amigos zangados, um casal em ruptura, para nos darmos conta de como os mesmos factos podem representar realidades tão, mas tão diferentes. O mais provável é que ambos estejam enganados.
O engano desfaz-se quando ponderamos os argumentos dos outros, ou mesmo quando sujeitamos o nosso pensamento a um contraditório que tem o nome de raciocínio lógico. E isso é difícil, muito difícil de conseguir. Procuramos sempre argumentos para dar razão a nós mesmos, argumentos aos nossos argumentos.
E há os loucos. Esses não têm quem os contradiga ou não conseguem aceitar o contraditório. Vivem num seu mundo. E há a ânsia do poder. Quando ninguém tem a coragem de o confrontar. Por loucura ou poder, perde-se a noção do real.
Então o ideal será o consenso. Mas será que o consenso garante o encontro com a realidade? Nem isso, porque a História está cheia de enganos de grupos, de colectivos, e aquilo que antes era pacífico, mesmo cientificamente aceite, hoje não o é hoje.
Talvez isto queira dizer que a realidade está apenas no horizonte. Caminhamos para ela, mas não não a atingimos na totalidade.
Então não será que a realidade não é aquilo que alcançamos, mas sim o que nos opõe resistência? Se assim for, quando batemos com a cabeça na parece, não nos devemos irritar. Pelo menos descobrimos onde está a realidade... ou então...não.

Mais um dia...

Desceu a avenida que tanto adorava. Ainda era noite, o que não ajudava em nada ao imenso sono resultante de uma noite mal dormida. Mal abria os olhos, tinha frio ao ponto de se recusar tirar as mãos dos bolsos para ligar o ipod e ouvir uma música que o ajudasse a acordar. Aquela hora, ainda com poucos pela rua, já se sentia um certo stress. Uma mulher de passo curto apressado, um homem de passada ainda mais curta mas rápida... poucos ali mas prestes a juntarem-se a muitos na convergência de ruas onde aquela ia terminar. Ruas a juntarem-se ao largo bem mais povoado. Trabalho e estudos eram os destinos de quase todos, mesmo todos. Entravam e saíam de comboios e de autocarros. Tão cedo e já tantos.
E é nestes meios de locomoção que tudo acontece.
Como se não bastasse a noite mal dormida e o cedo da hora, tinha-se enganado a programar o despertador e chegou cedo, demasiado cedo, à estação. Tão cedo, com tal cansaço que nem para stressar tinha energias. Isso era bom. Observava a pressa alheia. Apagou o cigarro e entrou no quentinho abafado e cheio de cheiros do comboio.
Sentou-se e não quis ouvir música. Pôs-se a observar. Uns dormiam, outros liam, uns arrastavam palavras muito baixinho, outros olhavam para aqui e para ali minutos a fio, como que para o infinito.
Observava o rosto de todos aqueles que estavam ao alcance da sua vista e não viu ninguém a sorrir. Próxima estação e mais uma mão cheia de gentes. Um cego a pedir. Já não era só no metro, era também já no comboio. “Tenham a bondade de me
auxiliar”, disse ele umas 20 vezes, talvez as primeiras 2 dezenas das muitas que proferiria até ao final do dia. Certamente milhares ao longo de anos. São as primeiras e as únicas palavras que quase todas estas pessoas deixam sair. É triste, muito triste. Tão ou mais triste é que quase ninguém é capaz de tirar sequer uns cêntimos do seu bolso para oferecer ao “desgraçado”.
É triste. Se cada um dos passageiros oferecesse um cêntimo ao homem cego, velhote, arrastado, ele teria uma quantia suficiente para comprar algo que lhe servisse como almoço. Mas não, as pessoas estão fartas, aquelas palavras já lhes entram por um ouvido e voam pelo outro. Fingem que não ouvem, que nem vêem. Continuam no seu silêncio, a olhar para tudo menos para aquele homem. Aquele homem que ali passa num misto de esperança e de desistência. Ele sabe, todos os dias ele sabe, que poucos lhe estenderão a mão e farão tilintar uns tostões naquele copo de plástico velho.
Ele olhava aquela gente com ar triste, mais do que cansado e com sono e pergunto-se: "é este o país a que chamam de altruísta, de boa gente, de grandes nomes e de uma grande História? É este o país que transpira exemplos de tolerância e solidariedade? É este o país de gente simpática, prestável e atenciosa?
Não, pareceu-lhe que não. Mais uma vez discordou da etiqueta comumente colada a este povo. Pareceu-lhe que estas gentes não conhecem o que tais palavras significam. Infelizmente, vivemos num país de cada um por si e Deus, ou quem seja, por todos. Onde estão os valores que pautam a nossa vivência?
Sim, outros países são assim, mas nós somos conhecidos por não ser. Sim, ele também muitas vezes não dá um cêntimo, mas muitas vezes dá. Sim, as pessoas estão fartas de pedintes e marginais, mas muitos deles não têm outra possível forma de vida. Mas sim, numa carruagem com dezenas de pessoas, nem uma ajudou aquele velho, poucas olharam para ele, quase todas fingiram não vê-lo.
E lá continuaram a entrar e a sair, sempre com um ar de quem não espera um dia feliz. De quem não tenta fazer por isso. De quem se deixa abraçar pelo nascer do sol de forma, mais um uma vez, triste.
É mais um dia...

Senhor Daniel Day-Lewis porque é que faz tão poucos filmes?

É, sem qualquer dúvida, um dos maiores actores de sempre. Um dos meus eleitos desde que o vi há anos na soberba personagem interpretada em "O meu pé esquerdo". Notável, no mínimo!
Ficamos meses e até anos sem dele ouvir falar. Foi assim nos anos 80, nos anos 90 e nesta década em que vivemos. Durante tempos e tempos as revistas de cinema não falam dele, os jornais, a tv, as revistas de cusquices idem. Desaparece e dele ninguém sabe. Depois volta a surgir, não se sabe bem de onde, e mostra a todos, sem qualquer pretenciosismo, o que é representar.
Muito branco, cabelo muito negro, alto, magro, de rosto desenhado e marcado pelos os anos. Esta figura irlandesa, de ar aristocrata (quanto a mim um homem ainda muito bonito) de sotaque característico, em quase 30 anos participou apenas em 8 filmes. Mas participou de que maneira! Surge (dizem que a muito custo, quase arrastado por argumentistas, produtores e realizadores), encarna uma personagem na perfeição, recebe os maiores elogios, ganha inumeros prémios e volta a desaparecer por mais uns tempos longos.
Daniel Day-Lewis tem tantas dúvidas em relação ao que faz, diz. Dúvidas sobre a sua profissão em geral, embora idolatre Brando, De Niro, Spencer Tracy. Dúvidas que o fazem afastar-se.
Antes de mais uma excelente interpretação em Gangs de Nova Iorque (filme que vale por este homem), passou mais de 5 anos como aprendiz de sapateiro em Florença. O que leva um actor tão consagrado e premiado a largar tudo e enclausurar-se numa sapataria como aprendiz? Voltou, representou e escondeu-se novamente e novamente com uma mala cheia de prémios.
Agora, anos depois, regressa e a sua prestação em There will be blood já lhe rendeu mais um punhado de nomeações e prémios. Quem o conhece diz que entra de tal forma nas personagens que depois precisa de tempos para voltar a ser quem era. Muda a voz, o sotaque, os gestos, as expressões faciais... Outros acham-no louco. Muitos consideram-nos o maior actor vivo.
Já há quem diga que quando Day-Lewis resolve fazer um filme, os outros que se cuidem, é certo e sabido que estará nos Óscars. Pois, e cá está ele este ano, again as usual.
Há uma espécie de mito à volta deste senhor e quem está atento às lides cinematográficas sente-o. Mas a névoa de mistério que o rodeia dissipa-se para dar a ver um actor afável, simpático, com muito humor, embora intenso, que desconfia tanto dos rituais que rodeiam o cinema como do despropositado estrelato a que muitos se prestam.
"Quando tinha 12 anos, queria ser actor, porque para além disso não havia mais nada. No mundo sombrio em que vivia, isso era a hipótese de luz. Mas desde essa altura isso tem sido permanentemente questionado: o que é isto que fazemos? O que me leva a continuar talvez seja a memória dessa aparente certeza de infância".
Mr. Day-Lewis, tenha então sempre presente essa memória e muitas vezes, faça-me o favor.
Senhor Daniel Day-Lewis porque é que faz tão poucos filmes?








Heath

Hoje, no barco, abri um jornal e senti-me triste, estranhamente, muito triste. Alguém havia morrido. Alguém que só conhecia do cinema e de uma ou outro entrevista. Alguém que teve das interpretações que mais me marcaram. Alguém que, pela sua postura, forma de falar, voz grave e colocada, pelas opiniões, desde há tempos me fascinou.
Heath Ledger, de 28 anos, vencedor de vários prémios de interpretação e nomeado para um Óscar pelo seu notável desempenho em O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee, foi encontrado morto ontem no seu apartamento de Nova Iorque.
O corpo do actor foi descoberto pela governanta que bateu à porta do quarto de Heath para o avisar que a massagista havia chegado. Quando ninguém respondeu, as duas mulheres abriram a porta e depararam com o jovem morto.
A polícia nova-iorquina disse aos media não haver suspeitas de crime. Foi encontrado um frasco de comprimidos para dormir junto do corpo do actor.
Ledger havia-se separado no ano passado da sua mulher, a actriz Michelle Williams, que conheceu aquando das gravações de O Segredo de Brokeback Mountain, onde interpretou também o papel de sua mulher. O casal tinha uma filha, Matilda Rose, de dois anos. Mãe e filha tinham-se mudado para Los Angeles. O actor estaria agora a namorar com a modelo e actriz australiana Gemma Ward.
Nascido na Austrália, Heath Ledger estudou representação no liceu contra vontade, porque era a única alternativa a culinária. Nunca quis ser actor. Mas tomou-lhe o gosto e fez o primeiro filme, em 1997. Mudou-se para os EUA e começou a ser notado pela sua capacidade interpretativa. Em pouco tempo começou a ser apontado como um futuro grande senhor da representação.
Heath Ledger, sempre muito reservado, não queria ser visto como um jovem galã, uma estrela mediática, mas sim como um actor sério e empenhado no seu ofício.
Numa entrevista recente, Heath Ledger declarou: "Sinto que estou a desperdiçar tempo se me repito. Não posso dizer que me orgulho do meu trabalho. É o mesmo com tudo o que faço: o dia em que eu disser 'ficou bom', é o dia em que começarei a fazer uma coisa diferente". Talvez nunca o tenha dito e agora já não o dirá.
Em breve estreia o novo filme da saga Batman, onde Heath interpreta o papel de Joker. Em breve estreia um filme de homenagem a Bob Dylan, onde Heath representa o próprio. Será estranho, muito estranho ver no grande ecrã um jovem que já não se encontra entre nós. Alguém que tanto me fez rir no filme Os Irmãos Grimm, alguém que me causou apertos no peito e tantas lágrimas no Brokeback Mountain. Um homem que, nas poucas entrevistas em que o vi, além de algo nervoso e tímido, muitas vezes me pareceu acompanhado de uma certa tristeza.
Goodbye Heath.







value="http://www.youtube.com/v/JCOtanyEqAQ&rel=1">


value="http://www.youtube.com/v/mTTytc_Dfnc&rel=1">

Ora toma!

O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, em Estrasburgo, condenou ontem a França por ter impedido uma mulher homossexual, que vivia com a companheira, de adoptar um bebé.
O Tribunal determinou que não se pode discriminar ninguém pela orientação sexual quando se trata de autorizar uma adopção (acho que em caso algum se deveria discriminar alguém pela sua orientação sexual, mas enfim, menos mal) e concluiu que a homossexualidade da candidata influenciou a decisão francesa, o que viola o direito de respeito pela vida privada e familiar.
A instituição revelou que a sentença terá efeitos de jurisprudência na Europa, mas que isso não implica que se esteja a validar a adopção de crianças por casais homossexuais em França (pois, infelizmente).
Em Portugal, o Ministério da Justiça, contactado pelo jornal Destak, escusou-se a comentar o caso (i wonder why!!!).
A decisão foi considerada histórica, pois é a primeira vez que Estrasburgo condena um dos 47 Estados do Conselho por uma discriminação homossexual numa adopção (a primeira vez só agora em pleno século XXI. Notável!).
A França terá de pagar à mulher 10 mil euros por danos morais, além de cobrir as despesas judiciais (toma e embrulha e ainda foi pouco).
Em Portugal, também é proibido um casal gay adoptar uma criança, no entanto, em singular podem fazê-lo, que é o que acontece, diz ao Destak um membro da ILGA (Sim, e, de facto, toda a gente sabe que um gay tem imeeeeensas hipóteses, claro. E mesmo que as tivesse, porque raio é que eu posso adoptar mas, atenção, desde que não tenha companheiro? Qual é a lógica disto?).

Estas coisas borbulham-me todas as entranhas físicas e mentais!
Só os heterossexuais é que sabem e tem a capacidade de amar uma criança?
Só em casa de um casal com 2 sexos diferentes é que uma criança pode ser feliz?
Será que é assim tão difícil entender que só porque não gosto de senaitas não significa que não viesse a ser um bom pai?
Em tantas coisas somos ainda tão pouco ou nada racionais.
E eu vejo a concretização de um dos meus maiores sonhos cada vez mais longe.

Smartista

Há quem o odeie e lhe chame "cadeira de rodas", "caixa de fósforos" e coisas que tais. Há quem o adore e, depois de conduzir ou ter um, diz que não quer outra coisa. Eu faço parte do segundo grupo. Andei no modelo anterior, aquele que pelas ruas mais se vê, mas em breve andarei e conduzirei um do novo modelo saído há mesitos no nosso país. Idêntico mas maiorzito, mais potente, mais seguro, mais confortável.
Pois é, não vale a pena perder mais tempo a deambular de stand em stand, de marca em marca, a ver este e aquele popó, a fazer simulações, a estudar vantagens e desvantagens, a pedir opiniões, a rondar este e aquele. Andei meses nisto e não vale mesmo a pena. Porquê comprar um outro se depois ia ficar sempre com o Smart na cabeça?
Chega. Está decidido. É o novo Smart que aqui o menino quer. É o novo Smart que o menino terá em Fevereiro.
É lindo, pequenino por fora mas espaçoso por dentro (o que convém a alguém grande como eu), óptimo para estacionar, o porta-bagagens chega-me perfeitamente, o consumo é dos mais baixos e, again, é lindo!
Não gosto particularmente de carros brancos mas o novo Smart branquinho apaixonou-me. É lindo, lindo. Branco, com célula de segurança tridion prata, tecto preto e traseira preta. Uma mistura clean, bonita, leve, de 3 cores que funcionam tão bem. Passei o fim-de-semana indeciso, hiper indeciso. Compro o branco/prata ou o preto/prata? Indeciso até à última da hora.
Apesar de adorar ambos, optei pelo preto/prata. Não só porque (e quem me conhece sabe) adoro preto, mas porque sempre quis ter um carro preto e porque sempre imaginei, caso comprasse um Smart, que seria preto. Porquê adiar se pode ser desta vez? Pronto, tenho pena de não comprar o branquinho lindo mas está decidido, está decidido. After all, black is my colour! E como está escrito num pin meu: "You can never wear to much black". Ah pois é!



(Novo Smart Fortwo Pulse, coupé, 84 cavalos)

Grrrrr...

Esta agora!
O mano aproveita a minha estadia por terras alemãs para vir cá a casa tirar umas fotografias e daí... tirar umas POUCAS ideias para a casinha que partilha com as suas amadas, a humana e a canídea. Poucas, disse-me ele, umas ideiazitas simples. Pois, pois... quando lá cheguei, aos seus novos aposentos, caiu-me tudo. Para onde quer que olhasse, em que divisão entrasse, era bombardeado pelas ditas algumas IDEIAS, digamos mais correctamente, cópias. Sim, CÓPIAS! Grrrrr...
Esferovite para aqui, desenhos para ali, cores usadas da mesma forma, molduras, disposições de objectos, recortes... Fotografados, alguns pormenores, alguns bem granditos, parecem autênticas imagens da minha casa. Duplo Grrrrr...
Ainda não estava recomposto deste trabalhinho de clonagem, no qual prefiro nem pensar muito, e hoje descubro que uma coleguinha, MUITO QUERIDINHA, resolveu fazer, digamos, o MESMO!
Enche-me de o telemóvel de sms a descrever o que fez e o que ainda vai fazer na casota caríssima. Enche-me de mms a mostrar o que já por lá articulou. E ainda finaliza escrevendo: "Toda a gente diz que está linda, que parece de revista de decoração, com personalidade e muito original!" Grande lata!
REVISTA DE DECORAÇÃO??? A minha casinha não é uma revista, que eu saiba. PERSONALIDADE??? Não a dela, ora que gaja! ORIGINAL??? Uma originalidade vinda de uns quantos km a nordeste.
Enervei-me, pois que sim. Enervei-me!
Uma pessoa faz umas coisas diferentes, cria pormenores só seus, personaliza cantos e recantos e vem esta gente e zás... Seus COPIÕES! Seus DESCARADÕES!
Triplo Grrrrr...

Despedidas...

Primeira grande decisão de 2008: Vender a casa. Custa-me, se custa. Nela vivi dos mais felizes e mais dolorosos momentos da minha vida. Já a amei, já a odiei profundamente. Já para ela corri, já dela fugi. Já a ansiei, já a evitei. Já a pontapeei, já a acarinhei. Nela está tanto guardado, entranhado, tanto foi sentido e vivido.
Ainda nem um ano faz que a ela voltei, que a redecorei, que lhe tendei dar uma "cara" nova e já a vou vender. Quase ninguém a viu como agora está e já a vou vender. Só há cerca de um ano que para ela olhei com olhos de quem vai começar uma "vida nova" e já a vou vender. Ainda não usufruí bem do novo look e já a vou vender.
Ao longo dos anos foi decorada e redecorada. Está tão linda, adoro-a. É a minha casa. Tive outras, tão ou mais importantes para mim, mas esta agora é a Minha Casa, o Meu Espaço, o Meu Canto, o Meu Cantinho Especial. Mas tem de ser, decidi vendê-la. Desta vez tem de ser. Dez anos depois do primeiro encontro, tem de ser.
Não faz sentido viver tão longe do local de trabalho. Não faz sentido fazer horas e horas de percurso diário (certamente por mais uns bons anos). Não faz sentido não viver mais perto das pessoas de quem mais gosto. O desgaste mental, o stress, os custos financeiros não justificam que com ela continue a partilhar a minha vida.
Mas só a ideia de fechar a porta de vez, para sempre, custa. Custa muito. Ver, nos imensos vidros da sala, o cartaz de venda, custa, é estranho, um papel ali a tapar, um papel horrível ali a mais. Um papel para onde o Bruno olha tempos a fio.
Será sempre a minha primeira casa! Sei que vou chorar. Já hoje, pisando este chão que conhece todas as solas dos meus sapatos, quase chorei.
Odeio despedidas, mesmo as de objectos (não me despedi convenientemente do carro e isso, estupidamente ou não, dá-me uma certa tristeza), odeio.
Dela sairei, daqui a semanas, meses ou mais. Dela se ocuparão outros. Mas o que eles não sabem é que ela vai comigo. Cada canto, cada cor, cada cheiro, cada marca, cada sorriso, cada lágrima... tudo o que a compõe vai comigo. E isso ninguém me tira.
E outro espaço, outra casa, outras paredes encontrarei, decorarei, sentirei como parte de mim. Até lá e depois, seja em 2008 ou não, tenho mais um tesourinho para guardar dentro de mim.

Cindy "Weird" Lauper

Marcou os anos 80. Era das presenças mais assíduas dos tops e toda a gente a conhecia. Para muitos "uma palhaça". Um corpito franzino e magro em oposição a uma carinha anafada como que inchada por resultado de inúmeras picadas de abelhas, uns olhitos quase fechados, uma boquinha a mostrar uma certa infantilidade, birra, raiva... e o cabelo, o cabelo, na época, único por paragens musicais. Amarelo choque misturado com vermelho, laranja, verde, comprido de um lado, rapado ou com desenhos geométricos do outro... Todo um semblante a condizer com a amalgama de cores, texturas e tecidos das suas vestimentas.
O bonito e lamechas "Time after time", o divertido "Girls just wanna have fun" e o belíssimo "True Colous", cada um do seu estilo, são conhecidos por todos e passavam, passavam, passavam na tv e na rádio. Ainda hoje sorrio quando os ouço.
Sempre simpatizei com a mocita "estranha" mas nunca fui grande fã. A vozinha infantil sempre me fez olhá-la como sendo uma má cantora. Quando soube que tinha participado num musical da Broadway nem queria acreditar, tal foi a surpresa. "Com aquela voz?" Mas depois de ver algumas imagens e de ouvi-la, mais velha, num excerto do mesmo, admito que a surpresa foi maior. Gostei. Gostei muito. Estava, diria, adequadíssima visual e vocalmente. A voz algo esganiçada funcionou muito bem no papel.
Hoje, ao ver uma rapariga no metro com um corte de cabelo fabuloso, lembrei-me desta senhora, outrora miúda com ar de doida, e pus-me a ouvir algo que quase ninguém conhece, algo que ouvi e vi tantas e tantas vezes numa das várias desgastadas k7 VHS onde, ainda adolescente, tinha a mania de gravar videoclips que iam passando no Top +, "Heading West". Depois "Time after time" e o inevitável e lindíssimo "True Colours". E foi tão bom ouvir isto no comboio.

(Heading West)


(Time after time)


(True Colours)


(Com Alan Cumming nos Tony Awards 2006 - Three Penny Opera)

Fumar não combate o stress... acentua-o.

Sim fumo! E então?! Desde que se começou a falar da legislação sobre o tabaco que, tantas vezes, parece que sou olhado com desdém por muito boa gente. Fazem um certo "arzinho" de quem diz: "Eh, eh, eh... Estás tramadinho a partir do dia 1 de Janeiro. O que eu me vou rir! Agora vais fumar para a rua, tu e todos os dessa corja poluidora."
Pois se é para fumar na rua, eu fumo. Apanho frio mas esse aguenta-se e a chuva não me incomoda. Janto fora e vou fumar para a rua. Deixo de ir a discotecas, pronto! Paciência!!!
Sou da opinião de que já há muito se deviam ter tomado algumas das medidas que agora estão em vigor. Fumo mas não acho bem incomodar as outras pessoas e, muitas vezes, vi-me no papel delas a levar com o fumo por todos os metros quadrados de ar num qualquer espaço fechado. Até eu, por vezes, ficava com dificuldade em respirar convenientemente.
Fumo mas entendo os que não fumam e ao meu lado se sentem incomodados. Agora não me venham é com fundamentalismos agarrados a leis pouco explícitas. Não me venham olhar de lado como se eu fosse um ser viscoso, um qualquer criminoso, um ser negro a deambular entre os tão saudáveis humanos, coitadinhos, que em nada prejudicam a saúde dos demais.
Sim, o tabaco é uma droga. Sim, sou viciado. Sim, sou drogado. E os medicamentos não são drogas? E o álcool não é? São. São e o último, pelo menos este, pode prejudicar gravemente a saúde também dos outros. É só pensar um bocadinho e perceber que sim. Se é para fundamentalismos então porque não proibir o álcool? Não afecta os outros? Pois, os familiares e amigos de alcoólicos não dirão o mesmo. As mulheres e filhos espancados por maridos alcoólicos não vêem a sua saúde afectada, já para não falar dos gravíssimos danos psicológicos? Já agora, porque não proibir o álcool?
Sim, sou fumador e então? Metam-me a fumar numa saleta, num aquário, num caixote qualquer dentro de um centro comercial ou à porta deste mas não me venham com argumentos estapafúrdios de que está decidido e, portanto, é questão de nos habituarmos, de que nem na rua se deveria fumar, etc.
Decidido? Questão de nos habituarmos? Pois, é o país dos hábitos, do comodismo. Habituamo-nos e pronto. Também, em certos países, as crianças de 4 anos, feitas escravas, já se habituaram a ser amarradas a camelos para que os ricos apostem naquele que vencerá a corrida com os miúdos montados. Também as mulheres nigerianas já se habituaram a levar 100 chicoteadas se engravidarem solteiras, mesmo que violadas... São hábitos e as pessoas habituam-se a eles.
Claro que são exemplos que poderão parecer exagerados e incomparáveis mas a verdade é que o argumento do "habituar" não me entra nem por nada. Neste país tudo se decide, tudo se faz a meia bola e força e cá estamos nós para tapar as mantas cheias de retalhos, para nos acomodarmos e habituarmos a uma lei tão pouco explícita que deixa os comerciantes com os cabelos em pé.
Na rua não se devia fumar? Sim, ainda outro dia me olharam de lado porque (passadas 2 horas a saltar de transporte em transporte) resolvi, finalmente, acender um cigarro na estação se comboios de Santa Apolónia. Uma outra vez, perante situação algo parecida, calei-me, mas desta vez passei-me completamente e fui grosseiro, mal educado.
Pois estava sentado à espera do comboio, na estação aberta, sublinho aberta, quando duas senhoras, muito aprumadas e empertigadas, cheias de acessórios dourados nos dedos, orelhas, pulsos e pescoço, falsas malas de marca cara e cabelos pintados cobertos de laca, se sentam mesmo ao meu lado. Uma olhou uma e outra vez e saiu-se com esta frase estrondosa como que a desdenhar aqui deste ser aspirante de fumos poluentes:
- Esta gente nem na rua devia fumar, a lei foi mas foi mal feita e ainda devia ser pior!
"Calo-me ou digo algo?" E disse, oh pois disse. O olhar da senhora fez-me saltar das goelas o que ela não queria, certamente, ouvir, mas ouviu.
- Desculpe, o fumo está a incomodá-la?
- Ah desculpe mas está, está.
- Então mas foram as senhoras que aqui se vieram sentar... a estação é arejada e bastante grande.
- Mas eu não tenho que levar com poluição e agora a lei diz...
- Olhe, a lei ainda me permite fumar em espaços abertos como este e estão aqui muitos cinzeiros. A senhora tem outros bancos onde se podia sentar e veio mesmo sentar-se aqui porque quis, peço desculpa.
- Mas esse fumo faz-me mal e eu não tenho culpa dos vossos vícios.
- A senhora conduz?
- O quê?
- A senhora conduz?
- Eu não mas o meu marido sim e o meu filho também tem o carro dele (diz a saudável criatura com ar muito snob de quem pertence a um trio familiar fantástico que tem dinheiro para duas viaturas, como se isso a tornasse quase uma estrela de alta sociedade). Mas o que é que isso tem a ver?
- Então se calhar devia dizer ao seu marido para vender o carro e ao seu filho também porque o que os dois carros poluem é bem superior ao fumo deste cigarro e de muitos outros acesos na rua, sabia?
- Olhe este respondão... mas os meus carros não atiram fumo para cima de mim. Ah, ah, ah...
- Pois, mas a senhora também não vai lá meter a cara nos canos de escape e veio meter a cara aqui só para implicar.
- É que isso faz mal, não sabe? O senhor é um estúpido de um mal educado que não tem respeito por uma senhora mais velha.
- Pois não, não tenho. Senhoras implicativas e sem argumentos não merecem a minha educação.
- ...
- E não, a sério que não sabia que isto fazia mal. É que o fumo é tanto que, além dos pulmões, esturricou-me o cérebro. A senhora com a sua idade já deve ter fumado muito, então. Com licença.
Levantei-me e fui-me sentar noutro banco. Todo eu tremia. Exagerei. Mas aquela atitude, aquela expressividade, aquele olhar de nojo pôs todas as minhas células a ferver de raiva.
Ainda pensei levantar-me, ir ter com as senhoras e pedir desculpas. Não o fiz.

Protector Solar


(Narração de Pedro Bial)

Weeds



E agora me vou daqui para me meter na erva. Consumir 4 episódios da segunda temporada... fora todos os da terceira.

Passagem de Ano


A vida anda agitada. Ora aqui, ora ali, pululando de um lado para o outro, mas lá houve um tempinho para colocar fotografias da Passagem de Ano no "Imitation of Life".
Ide ver, ide, ide.