Field Of Innocence

I still remember the world
From the eyes of a child.
Slowly those feelings
Were clouded by what I know now.

Where has my heart gone?
An uneven trade for the real world.
Oh I... I want to go back to
Believing in everything and knowing nothing at all

I still remember the sun
Always warm on my back
Somehow it seems colder now

Where has my heart gone
Trapped in the eyes of a stranger
Oh I... I want to go back to
Believing in everything

Iesu, Rex admirabilis
Et triumphator nobilis,
Dulcedo ineffabilis,
Totus desiderabilis.
.
I still remember.

(Evanescence)

Zes


A propósito dos enormes cartazes verdes com letras brancas, espalhados por todo o lado da cidade, presume-se, por todo o país, com a já conhecida frase "O Zé faz falta!", ele recebeu, de uma amiga, a mensagem no telemóvel:

"Se houvesse mais Zés no mundo... era uma zézada!"

Riu-se e respondeu:

"Se houvesse mais Zés no mundo... era uma chachada!"

Aquilo saiu-lhe de rompante, sem pensar, em toque de brincadeira, para fazer verso. Depois pensou um pouco e percebeu que até tinha sido certeiro. Não era o objectivo mas tinha sido. De facto, era mesmo o que pensava. Grande chachada que seria se houvesse mais Zés no mundo.

Pensal Cacau

Para muitos uma estupidez, até coisa de louco e, por isso, não gostava de falar no assunto. Esquivava-se sempre cada vez que o tema de conversa tocava no transcendental. Calava-se ou fazia por mudar-se de conversa. Muitas vezes ficava a ouvir as opiniões alheias. Os que o conheciam melhor sabiam porque se calava. Não que ele lhes falasse muito sobre isso, mas porque, eles mesmos já tinham assistido a algumas "cenas" a que chamavam de adivinhações. Olhavam para ele de lado para ver a sua reacção, calavam-se também ou sorriam.
Um dia, um amigo disse-lhe que ele era como uma ponte, uma ponte entre este e outro mundo. Primeiro teve vontade de rir porque achou ridículo. Depois parou para pensar, sem nunca querer entrar por determinados meandros do pensamento. Era uma parte que tentava anular em si. Há anos que assim era. Por uns períodos conseguia-o, noutros nem por isso. Esses outros ocorriam quando estava mais fagilizado, com as defesas mais enfraquecidas, sabia-o.
Às vezes chegava a ser assustador, tão assustador que o levava mesmo a não querer pensar, vivenciar, sentir, ouvir algo que, de alguma forma, deixasse transparecer, até para ele mesmo, aquilo que ele era, aquilo que era uma parte de si. Aquilo que, desde há anos, lhe fazia confusão, não tanta quanto a outros. Uma confusão que nunca sentiu durante toda a sua infância, mesmo adolescência. Sempre achou natural, normal. Sempre pensou que toda a gente era assim. Há uns anos começou a perceber que, afinal, não. Começaram a fazer-lhe ver que "desculpa, isso não é normal". Apenas um amigo médico lhe disse: "Não é comum, é até muito raro. Mas é normal em certas pessoas. Nós só usamos uma pequeníssima parte do nosso cérebro e há pessoas que o usam mais. Isse reflecte-se em várias áreas. Tu tens, certamente, uma parte do cérebro mais desenvolvida que o habitual. Uma parte que te faz ser assim, ver essas coisas, sentir o que tu sentes. É fascinante. Devias explorar isso e devias ser estudado."
Ele nunca o quis. Não queria ser estudado, não queria ser olhado como diferente, não queria ser assim. Por vezes achava graça e divertia-se com algumas situações. Achava graça e divertia-se pelo divertimento e fascínio que essas provocavam noutros. Mas, em geral, não queria ser assim. Ao longo da vida, já tinha sofrido muito com isso. Sentia e via coisas que não queria. E decidiu lutar contra. Não sabendo bem como fazê-lo, empenhou-se numa tarefa, até para ele, estranha de camuflar, anular, barricar tais "adivinhações", "flashes", "visões", "premonições", o que lhes quisessem chamar. Mas quando estava mais frágil, lá vinha tudo outra vez, como se aquela tal parte do cérebro estivesse à espera de uma brecha para entrar em acção. E era nessas alturas que mais sofria, era nessas alturas que mais via o que não queria.
Algo que nunca conseguiu barrar era a "aura" das pessoas. Desde pequeno que ouvia falar em aura mas nunca tinha percebido bem o que tal quereria dizer. Quem teria inventado tal coisa? O que seria isso? Talvez toda a gente a veja, talvez toda a gente a sinta. Ele via e sentia, disso não tinha a mais pálida dúvida.
Havia pessoas, não muitas, às quais nem se chegava, com as quais não queria manter grande contacto, se possível nenhum. E temia pelos que lhe eram próximos quando conviviam ou eram amigos dessas pessoas. Tentava, muito subtilmente, alertá-las para essas pessoas. As pessoas das "auras más", como há anos lhes decidiu chamar, por facilitismo de expressão. Mas havia outras, outras pessoas que, num ápice, se lhe afiguravam com uma luz, uma aura de grande beleza. As pessoas das "auras boas".
Há algum tempo, num jantar de amigos, conheceu uma dessas "auras boas". Semanas depois voltaram a cruzar-se e hoje um terceiro encontro para novo jantar. Conversaram, mudaram de lugar, conversaram, mudaram de lugar e continuaram a conversar. Deu-lhe boleia para casa. Continuaram a conversar. O carro parou e conversaram mais um pouco.

...
Z - Vá, até amanhã.
R - Até amanhã? Mas combinámos alguma coisa para amanhã?
Z - Não propriamente mas não vais ficar em casa. Não dizes que não queres focar em casa?
R - Sim, não quero mesmo. Preciso de sair, estar com pessoas, ver gente.
Z - Pronto, então até amanhã. E dorme bem.
R - Dormir? Eu não vou já dormir. O corpo está cansado mas eu não vou dormir. Ainda vou ver televisão e comer Pensal ou Nestum, de que gosto muito. Não sei se acontece com as outras pessoas mas eu quando bebo fico cheio de fome.
Z - Eu fico é cheio de sede.
R - Pois, também.
Z - Eu também vou ver tv, ou um dvd, qualquer coisa. Cama é que ainda não.
R - Sabes, é que agora nem música me apetece ouvir. Tenho lá uma pilha de cd's para ouvir e não ouço. Vejo tv. A ver tv somos mais passivos. Estamos ali a ver umas coisas a estas horas e pronto.
Z - É isso mesmo. Vemos umas coisas sem ter de pensar muito. E isso é bom, também.
R - Bem... então... sendo assim... até amanhã... e descança.
Z - Tu também. Vê lá se este lugar é seguro para ficares aqui. Isto é escuro. Não há perigo?
R - Não, não. Eu moro já ali, não te preocupes.
Z - Ok, então boa Pensal Cacau e até amanhã.
R - Obrigado, a sério, obrigado. Então até amanhã.

Quando ia no carro, a caminho de casa, pegou no telemóvel e escreveu:

- Engraçado, fizeste-me ter vontade de comer Pensal. Algo que não como há muitos anos. Quando era pequeno comia muito. Chamava-lhe "farinha preta". Segunda-feira vou já comprar para recordar. Boa paparoca em frente à tv e dorme bem.

Já em casa a resposta e mensagens seguintes:

- Olha que curioso. Eu fiz-te recuperar a vontade de comer farinha Pensal? Então acho que te transmiti algo de bom. Sim, vou agora preparar a minha tijela. Um bom descanso para ti. Beijos.

Outras mensagens se seguiram.

"Trasmitiste algo de bom? Tu transmites muitas coisas boas. Tens uma boa aura. Soube-o quando fomos apresentados e continuo com essa certeza." Assim pensou quando se sentou no sofá. Descalçou-se atirando os ténis ao ar, ligou a tv, mas não comeu Pensal. Não tinha. Sabia, contudo, que na segunda-feira, teria. Teria uma tijela cheia de Pensal Cacau para se deleitar e recordar aquele sabor tão familiar que o transportaria, certamente, à infância. Uma infância em que era tão feliz. Uma infância em que não sabia, efectivamente, o que era sofrer. Uma infância em que se deitava e acordava tão descansado. Uma infância em que se sentia tão normal. E era tão bom. Uma infância em que, ao acordar e/ou ao deitar, via a sua mãe entrar no quarto, com aquela expressão de profunda ternura que só as mães têm, acompanhada da sua "farinha preta".
Deitou-se no sofá. Pegou no comando da tv e ali se deixou ficar. Sentia-se bem. Afinal, tinha estado com uma pessoa com uma "aura boa". Era de pessoas assim que precisava na sua vida.

Fuck You

G - Fuck You!!!
S - Ok, let's do it.
G - Let's do what?
S - Fuck.
G - Fuck you...
S - Ok, i heard it. Let's do it.
G - I said: Fuuuuuck You!
S - Yes, i heard. You said: "Fuuuuuck YOU". So, if you wanna fuuuuuck ME...let's do it, let's fuck...fuck me.
G - Oh, well...ok. Fuck it!

1, 2, 3... count to 10...

Brokeback Mountain

Ficam as imagens e a música.

Brokeback Mountain

Precisava de ser sobredotado na escrita para conseguir escrever, passar para palavras, tudo o que sente sobre este filme.

Will I?

Caminhava num jardim municipal quase deserto e mal cuidado. Aqui ou ali um grupo de jovens a aproveitar os primeiros dias de férias, um casal de velhotes sentado, uma bicicleta que passava rápida, um cão que o seguiu durante uns 2 minutos. Um jardim, junto ao Tejo, onde não ia há anos... e, perdido nos seus pensamentos, ia cantando para si "...will someone caaaaaaaare?"

Nunca tinha estado no cinema com tão pouca gente, uma sala praticamente vazia. Eram só dois, eles dois. Iam ver o filme pela segunda vez.

As críticas não disseram bem, mas que bem eles estavam ali, que bem que tudo lhes soou...

(Will I? from RENT Movie)

The Mission

Ennio Morricone - Gabriel's Oboe

The Boys

Why can't the boys be the boys that the boys want the boys to be?

And why can't the boys see the world that the boys want the boys to see?

Tudo aquilo...

... Gostava de voltar a dar a mão, voltar a abraçar, voltar a dizer “bom dia”, “boa noite, dorme bem”. Gostava de voltar a ter a chave de outra casa, de dar a chave da sua casa, de ouvir o barulho da fechadura, de chegar a casa cansado e saber que lá está alguém para poder falar, para ouvir, para silenciar, só estar. Gostava de alguém chegar à sua casa e sorrir para si, de dar aquele beijinho rápido antes do dia começar, de voltar a ver 4 talheres e dois pratos na mesa, duas bandejas no sofá, de não cozinhar, dia após dia, só para si. Gostava de não tomar sempre banho sozinho, de partilhar o shampoo, de deitar ao colo, de afagar o cabelo. Gostava de olhar para duas lâminas de barbear, duas escovas de dentes, de não ser só ele a afagar os gatos, de partilhar a música no carro, de serem dois a olhar para a tv, de discutir por coisas parvas ou mais ou menos sérias, de planear a dois, de sonhar a dois, de querer e acreditar a dois. Gostava de voltar a dizer feliz: “Este é o meu namorado” e de ouvir sobre si o mesmo. Gostava de voltar a caminhar à chuva acompanhado, de sentar ao lado no cinema ou teatro, de ajudar a fazer a mala de viagem, de empurrar na cama, de deitar primeiro, de deitar depois, de tocar no corpo quente ou afastá-lo pelo calor. Gostava de partilhar os risos, as gargalhadas, as lágrimas e dores. Gostava de voltar a trocar de roupas. Gostava de voltar a usar aqueles termos e expressões que só dois usam. Gostava do voltar a ir e vir juntos. Gostava de voltar a fazer amor como se de um bailado se tratasse. Gostava de voltar a fazer amor. Gostava de não sentir o que sente agora. Gostava de ouvir em casa mais do que o vento que agora faz estremecer as janelas.
Está sozinho, assim tem de estar, mas, ao mesmo tempo, gostava de ter tudo aquilo.
Hoje não janta. Não quer um só copo, um só garfo, uma só faca, um só prato. Hoje não liga o fogão só para si.

Sozinho

Há mais de meio ano que estava sozinho, entenda-se, sem ter uma relação, um companheiro, um namorado. Não que até nem tivessem surgido oportunidades, estava sozinho porque assim tinha decidido estar. Cruzou-se com pessoas interessantes, fascinantes, simples, complexas, simpáticas, divertidas, inteligentes, interessadas, com boas "auras", pessoas com quem, em tempos, poderia deixar-se estar horas a pensar que "pois...talvez...é capaz...". Cruzou-se e vai continuar a cruzar-se. Mas não as quer para mais do que amizade. Será esse o máximo a que se permite e que lhes permite. Poderia estar a desperdiçar oportunidades, ele sabia, mas não as queria. "É para estar sozinho", assim queria que fosse.
Nunca tinha feito parte daqueles que saltam de cama em cama e mesmo sozinho nunca foi o seu “meio”. Nada tinha contra, até chegava, por vezes, a sentir uma certa inveja das aventuras por outros contadas. Tinha mais de trinta anos e contava pelos dedos de uma mão as pessoas com quem se tinha envolvido fisicamente. Também nunca tinha feito parte dos desesperados em busca de uma relação. Esses sempre lhe fizeram confusão. Com ele as coisas sempre aconteceram com certa naturalidade, uma naturalidade que nunca esperou. Nunca procurou, nunca esperou. Talvez por isso tenha acontecido. Talvez por isso nunca tenha tido a panóplia de namorados que os que o rodeiam “coleccionam”. Nunca namoriscou, nunca "andou" com alguém.
Durante toda a sua adolescência e juventude e até aos vinte e tal anos, sempre se viu sozinho, sempre se achou demasiado independente e individualista para partilhar uma “vida a dois”, mas, muito mais do que isso, nunca pensou que alguém se pudesse interessar, apaixonar, enamorar por ele, ao ponto de ter algo de mais sério, ao ponto de, durante anos, sentir-se casado. Mas assim foi. Um primeiro “casamento” terminou. Um segundo também. Não queria mais. Duas vezes era demais. Os tempos depois do fim tinham contemplado os momentos mais horríveis da sua vida. Quando pensou que já não poderia chegar mais fundo, chegou. Quando pensou que não podia voltar a sofrer tanto pelo finalizar de algo construído a dois, sofreu. Quando pensou que estava preparado para tudo, sentiu na alma, na mente e no corpo que não estava. Um aperto no estômago, uma dor no peito, um nó na garganta, uma dor que chegava a ser física. Sentiu-se ferido, esquartejado, apunhalado e as feridas teimavam em não sarar. As que iam fechando, voltavam, em segundos, a abrir-se, bastava uma música, uma imagem, um som, uma palavra, um cheiro... Chegou a sentir-se metade de si, chegou a sentir que uma parte de si tinha desaparecido, chegou a sentir-se quase morto. Estava no fundo do poço, na sarjeta, com a alma e o coração ensanguentados debaixo do mais reles tapete. Pensou, por tantas vezes, que não aguentava tamanho vazio, mais do que isso, tamanha dor. Preferia viver sentindo-se vazio do que encarar cada acordar, cada deitar, com uma dor que não se descreve.
Sabia que ninguém completa ninguém. Em última instância, as pessoas nascem sozinhas e assim morrem. As pessoas complementam-se, é diferente. E já nem essa complementaridade queria.
Achava ridículo quando, no dia dos namorados, via peluches, postais, porta-chaves e um sem número de objectos com frases do tipo “ ficarei sempre a teu lado”, “sem ti não sei viver”, “és a minha cara metade”. Pensava: “Ninguém é a cara metade de ninguém. Não, não ficará sempre a teu lado e conseguirás viver sem ele ou ela. Se eu consegui, se ainda aqui estou...” E, ao mesmo tempo, sentia tristeza por isso. Uma profunda tristeza por ter deixado de acreditar, por ter deixado de olhar com carinho, ternura e esperança para aqueles objectos, por não querer mais construir a "sua familia".
Não queria mais passar por aquilo. Estava cheio de cicatrizes, carregava um passado cheio de recordações guardadas numa caixa que era o tesouro mais bem guardado dentro de si. Um tesouro cheio de alegrias, felicidade, sorrisos, risos, partilhas, cheio de amor, cheio de luz mas também cheio de escuro, muito escuro, o escuro que o tinha feito sofrer tanto, como nunca pensou ser-se possível sofrer. Cresceu, melhorou, aprendeu, tornou-se mais capaz, mais forte, enquanto ser humano. A vida ensinou-o a criar mais defesas, a estar mais preparado. Mas estava cansado, dorido, desiludido. Não queria mais passar por tudo aquilo, nem por metade. Sabia que era demasiado sentimental, que não punha as coisas assim para trás das costas, que não conseguia, de um momento para o outro, construir um novo castelo com alguém. E por tempo que passe, construirá o seu castelo. O dele.
Tinha decidido que não queria mais, nem namoro, nem relação séria, nem “vida a dois”. Nada. Era ele, a sua família e os seus amigos. Essas seriam as pedras do seu castelo. E era com essas que iria partilhar, com que iria contar.
Aos trinta e poucos anos já tinha tido aquilo que que a maioria das pessoas procura a vida inteira. Amar verdadeiramente e ser verdadeiramente amado. Viver como casado durante anos. E isso tinha tanto, mas tanto valor, ele sabia. Mas também o tinha feito chorar as lágrimas mais doridas da sua vida. Não queria mais.
“Falhar numa relação é diferente de deixar de amar”, sempre acreditou nisso. E ele amava, ainda amava. E amava muito. Amava e era amado, sabia disso. Mas a vida a dois tinha terminado. E com isto teve de aprender a viver. Em vez de se deixar caído no fundo do poço, ia aproveitando a terra que lhe caía em cima, sacudia-a, limpava-se e ia subindo para cima dela. E ia ficando cada vez mais perto da superfície, da entrada do poço. Se escorregasse e caísse, tentava novamente. Era assim que tinha de ser, por muito fraco que estivesse. Agora era ele que importava.
Tal como nunca procurou, tal como nunca ficou à espera, também nunca acreditou muito na história do príncipe encantado. Acreditava nas pessoas, na partilha, na cumplicidade, na honestidade, na luta a dois, no equilíbrio a dois. Deixou de acreditar plenamente nas pessoas, deixou de acreditar numa relação como sempre sonhou e quis. Deixou de acreditar em algo a dois, só a dois. Sentia tristeza por isso, mas essa era a verdade.
Tinham-lhe dito coisas como: “A melhor forma de esquecer um amor é com outro amor”, “Vá, arrisca, não sejas parvo. Vais ficar toda a vida preso a um amor?”. Arriscar o quê? Assumir algo com alguém amando outro alguém? Não queria. Não era justo para o outro, não era justo para si mesmo. Ele não queria uma bengala. Queria andar direito e sozinho.
Um grande amigo seu disse-lhe: “Tu não penses que vais andar agora por aí a ter sexo com este e aquele, era bom, era o que devias fazer, aproveitar, mas não faz parte de ti. E não vais ficar muito tempo sozinho. Tu és foste feito para estar casado.” Feito para estar casado? Talvez. Talvez aquilo lhe tenha caído na alma como uma chapada, dada por uma mão pesada, na cara. Mas não queria. Estava decidido. Já tinha perdido demais, não queria voltar a perder. Viessem outros sofrimentos, outras dores, outras feridas mas não mais por causa de alguém em quem ver o seu companheiro, o seu cúplice, alguém com quem se veja a viver o resto da vida.
Talvez um dia deixasse de amar. E mesmo nesse dia não quer voltar a deixar de estar sozinho. Há mais de meio ano que estava sozinho e, por tantas vezes, parecia que se tinham passado apenas dias. Mas estava sozinho e era sozinho que tinha decidido estar. Tinha tanto amor dentro de si, tanto amor para dar, mas guardá-lo-ia dentro de si. Seria o amigo que sempre foi, estaria lá sempre que fosse preciso, amaria de outras formas, como sempre fez, mas entregar o seu amor a "outro", não. Sentia que se estava a tornar uma pessoa fria. Paciência!

Madonna rules at Live Earth

Outros foram partindo, mas nós dois, ainda com esperança, esperámos, esperámos, esperámos, desesperámos, comemos, bebemos, fumámos e ali fomos ficando no sofá, hora após hora, à espera. Uma maratona que findou perto das 4 horas da madrugada.
Mas valeu tanto a pena. De repente lá estava "ELA", a minha menina, de preto vestida, cabelo louro aos cachos, linda, linda, linda. Chegou e arrasou. Não são precisas mais palavras.

Madonna rules at Live Earth

Hey You (tema composto por Ela para o evento)

Muito, muito bonito.

Madonna rules at Live Earth

Ray Of Light

She stole the show!

Madonna rules at Live Earth

La Isla Bonita

Absolutamente fantástico!
Estes ciganos romenos (Gogol Bordello) são hilariantes.

Madonna rules at Live Earth

Hung Up

Ninguém desfila assim numa passadeira... (aos 4 minutos)

Eu Comi a Madonna

Que abuso, comer ELA!

That's why we don't need to talk

Dos mais belos filmes de sempre.

I Have a Shane Fascination!

Uma das séries que nunca o moveu, nunca lhe despertou grande interesse, dá pelo nome de The L Word. Volta e meia lá se cruzava com ela nas suas “zappingadas” mas aquilo não lhe dizia muito. Lésbicas aos beijos, era quase sempre o que via... Passava-lhe muito ao lado. "De certeza que, sobre a homossexualidade, o Queer As Folk é muito melhor."
Uma noite, num jantar, ouve uma colega, autêntica devoradora de séries televisivas, dizer que a série é muito boa. O marido, outro vampiro de séries, sacava cada episódio da net mal ele passava nos States. Achou algo estranho, sobretudo curioso, um casal heterossexual ficar ali a falar da série mas, noite finda, e o assunto encerrou na sua mente.
Há dias, nas suas passeatas pela Fnac, uma estante imensa com os dvd's da primeira série. "Que raiva! Queer As Folk lá metido numa estante escodida e sem ser da zona europeia. Esta série como já são gajas, já há para a zona 2, já tem legendas em português e já metem em destaque aqui. Que discriminação! Homens aos beijos já tem de ser escondido do povinho mentecapto!"
Pegou na caixa rosa. Olhou para as moças lesbianas. Leu o que estava escrito e ficou na dúvida “Compro ou não compro? Não sei se vou gostar disto. Nunca vi, nunca me chamou a atenção e, por favor, são só gajas!” Sorriu com a sua ideia também de discriminador, deu mais uma volta pela loja e voltou a pegar na caixa. “Compro, ora! Não é caro e se aqueles dois dizem que é boa, deve ser. Eles tem gostos de que gosto e são heteros...”
Comprou. E o cenário foi-lhe, novamente, conhecido. O cenário do vício. O primeiro episódio, logo o segundo, até ao último. Horas e horas no sofá, até o nascer do dia, a embrenhar-se naquela realidade, não tão longe da sua, afinal.
Os nomes das personagens, as suas características físicas, o delinear das suas mentes e atitudes, os casais, os namoros, as amizades, as profissões, as casas, as ruas, o café... mais umas vidas, mais uns amigos (no caso, sobretudo, amigas) para acompanhar.
E estava a gostar, a gostar cada vez mais. Por várias vezes pensou: “Todas as pessoas deviam ver isto! Heteros e gays, todas! E dizia a outra que não se aprende nada a olhar para um ecrã de tv!?” Nunca tinha pensado que cenas de amor ou de sexo entre mulheres pudessem ser tão belas aos seus olhos. Nunca o tinham sido. E havia cenas tão, mas tão belas. Nunca pensou que se pudesse envolver tanto num “mundo gay feminino”. Afinal, a diferença era no sexo, nada mais. Em vez de homens e mulheres, sobretudo, em vez de homens e homens, eram mulheres e mulheres.
O casal heterossexual, o casal lésbico, as melhores amigas, o homem lésbico, os engates, os preconceitos relativos a orientações, relativos aos conceitos de arte, a luta profissional, a maternidade, a adopção, a irmandade, os vícios do álcool e toxicidades, o sexo, o desejo, o amor, a alegria, a dor, o sofrimento, os sorrisos, os risos, as lágrimas, a familia, as confusões de sentimentos, as traições, os inícios e fins de relações, os choques de personalidades... tanto ali exposto. Tanto tão familiar.
Várias vezes fez pausa para olhar o tecto e pensar. “Isto é mesmo assim! É tal e qual isto! A mente humana é, de facto, tão assustadora quanto fascinante.” E, quando terminava um episódio, ao som de uma música sempre cuidadosamente bonita, ficava minutos e minutos a pensar. "O cérebro é formado por laivos de tantas confusões!"
Como sempre, logo assumiu personagens favoritas e uma não lhe saía da cabeça. Shane. Reparou nela logo na primeira imagem em que esta figura lhe surgiu. O deslumbramento aumentou a cada episódio. Não que se identificasse com ela. Fascinava-o, era isso. A androginia sempre surtiu nele um efeito de curiosidade, de fascínio. Sempre que via alguém andrógino, ficava a olhar. Via na androginia, muitas vezes, muita beleza. Sobretudo, numa androginia assim. Mas foi mais do que isso. Já não era a primeira vez que alguém andrógino o atraía mesmo fisicamente. As pessoas achavam aquilo estranho. Até ele chegava a achar. Se era estranho sentir-se atraído por um homem que parecia uma mulher, mais estranho era este o caso. Era uma mulher. Nunca ninguém andrógino o tinha feito sentir assim, sobretudo sendo isso, uma mulher.
“Que ser extraordinário!” pensou tantas vezes, em tantos episódios. Fisicamente, uma rapariga com 20 e muitos anos, extremamente magra, cabelo desgrenhado, roupas cuidadas mas, ao mesmo tempo, desleixadas. Um andar desengonçado masculino, o sentar de pernas abertas e a voz, uma voz fabulosa grave, quase susurrada, saída de um rosto, quase de criança, muito bonito. Sim, uma lésbica muito masculina não tem de ser feia, nada mesmo. Shane era a prova disso. Linda! Tanto estilo nos gestos, na postura, nas costas ligeiramente curvadas, no low profile! Em termos de personalidade igual fascínio sentiu. Aparentemente desinteressada e secundária, é muitas vezes o elo de ligação entre personagens. Irónica mas certeira, para não sofrer procura ser fria e esconder sentimentos, mas em pequenos gestos deixa transparecer o enorme coração que tem e o imenso amor que tem para dar, um amor que, pelo desejo físico que sente, pelo passado devastador, rejeita sequer sentir. “Listen, i fuck, i don't do relationships! I like you a lot but i like other people too” diz num dos primeiros episódios. Está mais do que apresentada aquela do grupo que salta de cama em cama e que não quer nada com o amor que todas as amigas procuram ou sentem. Eis que, no último episódio da primeira série, se esvai num turbilhão de sentimentos perante a pessoa que, efectivamente, ama e com quem, afinal quer passar os dias da sua vida. “I never wanted, i don't want to feel like this but... i met you, then i've opened my heart, now i know what is to be in love with someone. I'm broken... Stay with me.”
E agora Shane, e agora meninas, como será na próxima série? Fascinem-me!





Looking very Shane today!

"So fuckin' cute!" She says. "So fuckin' fab!" I say.

Series

Há poucos dias ouviu uma colega de trabalho dizer: “Quem passa horas em frente à televisão é porque não tem nada de interessante para fazer na vida!” Ora que coisa tão infeliz de ser dita. Não será esse um modo de nos fazer evoluir, crescer, aprender? Claro. Era óbvio para ele.
Respondeu isso mesmo, acrescentando: “Eu adoro ficar horas a ver séries.” E levou como resposta final: “A sério? Estás-me a surpreender. A sério? Mas isso é perder tempo. Não adianta de nada a ninguém.” A colega olhou para ele com ar de alguém absolutamente decepcionado. Aquele ar de “tinha-te em melhor conta!”
Dirigiu-se ao computador para fazer uma grelha qualquer e pensou: “Não adianta nada? Não que não adianta. Quem não vê... se visse talvez entendesse! Há ali tanto sobre a vida!”
Não tinha nada contra vícios. Nada mesmo. Até estranhava quem os não tivesse. Os vicios dão calor à vida. Pulsam em nós. Ele andava viciado e não se importava. Viciado e adorava andar assim. Andava viciado em séries. Séries daquelas que, há meses e meses, vão dando nos canais da Cabo mas que às quais nunca deu grande atenção. Sempre foi assim. Nunca gostou de ver episódios “soltos”. Se era para ver, se era para acompanhar, então teria de ser desde o primeiro episódio. Não se importava de ver um ou outro episódio de séries cómicas, daquelas para rir um bocado uns 30 minutos, mas de resto, tirando um ou outro episódio do House ou dos milhentos CSI, só mesmo vendo do início.
Fazia zapping e lá se deparava com episódios daquelas séries de que ia ouvindo falar. Não olhava para o ecrã mais de 5 minutos. Até podia, rapidamente, entrar no argumento, mas não queria. “Um dia logo vejo isto do início”, pensava. Pensava e cumpriu.
Há uns largos meses começou pelo Six Feet Under. A correria após a aula de body combat, a adrenalina a subir ao tentar arranjar lugar para o carro, para chegar a casa e ouvir aquela deliciosa música inicial. “Porra, são 10.40, vamos perder o início, que raiva!”
Depois a Ally MacBeal. Quando, há anos, dava na televisão nacional via quase todos os episódios. Chegava a ficar acordado até às 2 ou 3 da manhã para ver o episódio semanal que dava cada vez mais tarde por causa das novelas umas atrás das outras. Adorava aquela Ally. Adorava aquelas pessoas daquele escritório. Fez questão de perder o amor ao dinheiro e mandou vir toda a série. Voltou a ver tudo. Horas a fio, episódio a seguir episódio. Era tão bom, tão bom.
Depois, outras vieram. Nip/Tuck, papado. Queer As Folk, visto. Grey's Anatomy, consumido. Sex And The City, já está. Até o Lost. Sempre teve um certo sentimento de “Bah, que porcaria tão parva. Haverá coisa mais estúpida?” relativamente a esta série. Do pouco que via, nas sessões de zapping, sempre achou aquilo patético. Ursos polares numa ilha tropical? Um fumo preto que se desvia das pessoas ou que as ataca? Quase foi obrigado a ver desde o primeiro episódio e... rendeu-se.
De quando em vez lá ia à net ver se havia novidades. A Ally, as fantásticas de NY, a familia fúnebre e os queers já se tinham ido... mas havia os outros. Quando sairia a terceira série dos estagiários de medicina? Quando teria a quarta série dos seus cirurgiões plásticos favoritos? Quando é que voltaria, pela quarta vez, aquela ilha perdida? “Vá, lancem lá a porra das séries! Tenho saudades” pensava.
Queria voltar a ver, a ouvir, a sentir aquelas personagens. Queria voltar a acompanhar aquelas vidas. Queria voltar a intrigar-se, a sorrir, a rir, a chorar, a carregar na tecla “pause” do comando para pensar nesta ou naquela frase. Queria ir buscar qualquer coisa para petiscar ou ir bebendo e esticar-se no sofá, ir à casa-de-banho e voltar para junto daquelas pessoas. Tão aconchegante. Episódio atrás de episódio repleto de expressões, diálogos, silencios, complicações, excitações, emoções e sentimentos fictícios mas tão, tão reais.
“Vá, despachem-se. Estou à espera de vocês!”

Que se apaguem as luzes... e se ouça isto.

Para a querida "C" que entrou na Igreja ao som desta música. Feliz vida a dois.

(Sacrifice - Lisa Gerrard e Pieter Bourke)

Most Ignorant...

Estava numa reunião de trabalho. Enquanto rabiscava a sua próxima tatuagem e outras linhas saídas da sua caneta preta, os outros falavam cheios de verdades que o podiam não ser. Não passavam já de sons, ora mais longe, ora mais perto. Sons que se misturavam na sua cabeça com uma melodia da Bjork.
Já estava farto daquilo. Sempre o mesmo. Todos os finais de ano o mesmo. Tanto trabalho ao longo do ano para quê? O que é que ele estava ali a fazer? O que é que andou a fazer durante todo o ano? Qual o sentido daquilo tudo se depois passavam os miúdos quase todos apelando a pretextos absolutamente extraordinários direccionados por uma entidade, supostamente, douta e superior. As familias, as necessidades educativas, os planos, as idades, os resultados da União Europeia, etc, etc, etc. Qual era o papel de professor, hoje em dia? Qual era o seu papel? O ano tinha corrido bem e agora voltava tudo ao mesmo. Transitam os que sabem e os que não sabem. Transitam os que se esforçam e os que apenas marcam presença, como se vasos de plantas se tratassem. Porque é que não passam logo todos de uma vez e pronto?! Sucesso a todos os níveis! Menos aos níveis que mais importam.
Ele já tinha dado a sua opinião e já sabia a dos outros. Há meses que sentia a revolta dos colegas. A revolta a conviver com eles e a brotar deles. Uma revolta a que já se estavam a habituar, infelizmente. Era assim quase diariamente. Um baixar de braços.
Abstraiu-se. Sempre soube que as verdades de hoje são as mentiras de amanhã. E nesta profissão isso é tão, mas tão nítido. Pensou chegar a casa e escrever um post sobre a situação do ensino no seu país. Não o fez. Iria ser necessário um blog só para isso. Um blog que se traduziria numa farta cabeleira branca, uma úlcera nervosa e mil rugas de expressão. Não, não ia entrar por aí.
Continuaria a lutar como podia, continuaria a fazer o papel que há anos resolveu encarnar em sala de aula quando escolheu esta profissão fascinante, continuaria a tapar buracos nas múltiplas mantas emanadas pelos ditos superiores, continuaria a ser o mais justo possível para os colegas, para os alunos, logo, para consigo. Os sorrisos dos alunos, no final do ano, mostravam-lhe muitas coisas. Sabia que fazia bem o seu papel. E isso era tão, mas tão bom. Isso valia-lhe muito mais do que os zumbidos que agora ali ouvia.
Olhou pela janela e lá ia um grupo de alunos a sair da escola. Uma aluna olhou para cima, para a janela, sorriu-lhe e acenou-lhe um adeus. Os outros fizeram o mesmo. Um deles gritou: "Boas férias, stôr. A ver se é nosso para o ano. Veja lá!" Isso sim era importante.
Lamentava o que ouvia naquela sala e lamentava saber que os que ali estavam também sentiam esse lamento. Eram tão bons profissionais... mas sentiam-se impotentes.
E surgiu-lhe na cabeça: I'm most ignorant of what i am most assured.

Toys

People are like toys. Some of them talk. But none are naked.

Submarino

Hoje acordou e lembrou-se de um livro que tem como dos seus favoritos: "O Mar Por Cima", de Possidónio Cachapa.

"Por vezes, sou como um submarino com o mar a bater, desordenado, por cima."

Não se sentiu triste, dorido, vazio, nada. Sorriu, deu de comer aos gatos e saiu de casa.

Riding...

Por vezes ama-se tanto alguém que é melhor nem se pensar nisso porque a dor pode ser insuportável.

(Riding cars with boys)

Sem Comentários/Não é Arte!







À mesa:

N - Estive a ver o concerto da Madonna. Obrigaram-me a ver.
R - Qual deles?
N - Este último.
Z - E então, mudaste de opinião?
N - Não, nada. Só gostei de um tema. O "Substitute for love". O resto foi uma seca.
R - Uma seca?!
N - Sim, aquilo não transmite mensagem nenhuma. Não tem nada a ver com arte.
Z - Desculpa?
R - Aquilo que vi no Pavilhão Atlântico em 2004 foi arte, arte cheia de mensagens. Tal como todas as suas digressões.
Z - Tu achas que o que viste não transmite qualquer mensagem?
N - Não. Nem tem nada a ver com arte. Prefiro muito mais um concerto da Kylie Minogue ou de outros.
Z - Ok, podes preferir mas daí a dizeres que aquilo não é arte e não transmite qualquer mensagem...
N - Pois, não mesmo. Aquilo não tem qualquer valor.
Z - ...
R - ...

N sorriu (vitorioso e sabedor); Z engoliu um trago de cerveja e esfumaçou o cigarro; R olhou para o chão.

Sem comentarios!

Sentado à mesa de café, ouve da mesa do lado um grupo de três amigos:

Z – Aquela de perguntares: “São giros?” quando ele te disse que ia apresentar uns amigos... Ele passou-se. Achou aquilo a maior das futilidades da tua parte.
L – Então, ora, ainda por cima eles eram feios.
Z – E então? O que é que isso importa?
L – Então, para que é que ia querer conhecê-los?
Z – Porquê? Não era para possível namoro. Era para apresentar uns amigos, nada mais.
L – Ai, não quis.
Z - Ah isso é assim? Só te interessa conhecer pessoas bonitas?
L – Claro. Pelo menos que não sejam feias. Agora cá gente feia. Dispenso!
Z – Estás a falar a sério?
J – Estás surpreendido?
Z – Bem, quer dizer, vindo deste gajo, estou e não estou. Já sei como ele é. Adora dar este ar. O que vale é que parto do princípio de que ele está no gozo.
J – Eu concordo com ele.
Z – Concordas?
J - Tu, por acaso, dás-te com gente feia?
Z – Claro que sim. Eu não me dou ou deixo de dar com as pessoas por serem fisicamente isto ou aquilo. Então havia de ser lindo. No trabalho não me dava com muita gente. Mas o quê, vocês não se dão com pessoas que não sejam bonitas?
J – Oh, dar claro que sim, mas no trabalho é diferente. Não há outra hipótese. Mas não tenho amigos feios.
L – Sim, os feios não me puxam.
Z – Mas vocês estão a falar a sério?
J – Se pensares bem, os teus amigos podem não ser bonitos, mas feios não devem ser.
Z – Estás-me a dizer isso a mim? Sinceramente, nunca tal me passou pela cabeça. Tenho amigos feios e bonitos, mas não os escolhi por isso, como é óbvio. Estamos a falar de amizade, certo?
L – Ceeeerto.
J – Claro. As pessoas que não são feias, em geral, não se dão com pessoas feias, hás-de reparar..
L – Podem não ser bonitas mas não são feias, são normais.
Z – Olhem, estou parvo com isto.

E assim ele ficou... parvo... parvo com aquilo. Foi para casa e pensou: “Que raio de amigos tem aquele fulano?!” Apeteceu-lhe chamar-lhes, logo ali, vários nomes. Mas estava demasiado aparvalhado e sem palavras. Talvez fosse melhor pensar que estavam meeeeeesmo a gozar.